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I Guerra Mundial
Europa 28/07/1914 Terça-feira
               11/11/1918 Segunda-feira


ícones da I Guerra Um automóvel negro, descoberto, segue lentamente por uma ruela da cidade Sarajevo, capital da Bósnia, precedido pela cavalaria. Repentinamente, uma forte explosão de granada, dispersa a multidão e atordoa as montarias. No mesmo momento, dois jovens saltam à frente do veículo e um deles sobe no pára-lama do carro e dispara contra os ocupantes. Os guardas que acompanham o cortejo lançam-se sobre o homicida e prendem-no. Sobre o banco, jazem dois corpos inanimados: o do príncipe herdeiro do Império Austro-Húngaro e o de sua esposa, a duquesa Sofia de Hoenberg. O atentado ocorreu durante a visita do arquiduque Francisco Fernando, a cujo império a Bósnia estava anexada havia quatro anos. Fora obra de estudantes nacionalistas bósnios, mas havia sido preparado em Belgrado, capital da Sérvia, com a colaboração de oficiais sérvios. O assassinato foi a causa imediata da guerra mais mortífera que o mundo jamais conhecera até então. Esse conflito estendeu-se a quase todos os países europeus, asiáticos e americanos, e modificou a face da Europa.

Havia muito que as rivalidades coloniais e comerciais, originárias dos interesses econômicos estavam emjogo. A guerra dos povos balcânicos contra os turcos, a corrida armamentista e, sobretudo a formação de dois blocos europeus antagônicos que se intimidavam mutuamente e criavam uma situação tensa. De um lado, a Tríplice Aliança, agrupando os Impérios Centrais, constituídos pela Alemanha e Áustria-Hungria, mais a artilharia Itália, que se desligou do grupo a seguir. De outro, a Tríplice Entente, que compreendia a França, a Rússia e a Inglaterra.
Em 1914 pareciam apenas aguardar o momento mais oportuno para se precipitarem na guerra. O gesto de rebeldia do estudante Princip marcou essa ocasião. A ingerência de oficiais sérvios no complô dos estudantes bósnios serviu de pretexto para que a Austria-Hungria acertasse suas contas com a Sérvia, seu principal adversário nos Balcãs. Certa do apoio dos alemães, ela endereça a Servia um ultimatum, cujas condições parecem inaceitáveis para um Estado independente. Apesar disso, o Governo sérvio aceitou todas as condições, menos uma. Não atendendo a proposição da Inglaterra como mediadora, a Áustria, precipitando os acontecimentos, declarou guerra à Sérvia, a 28 de Julho de 1914.

Em alguns dias, a maior parte da Europa estava em pé de guerra. A Rússia mobiliza suas tropas de invasão tropas e a Alemanha lhe declara guerra, enquanto a França se prepara. A 4 de agosto, as tropas alemãs invadem a Bélgica, levando à guerra a Inglaterra, que sempre defendera a neutralidade belga, em virtude de sua situação geográfica. Até o Japão toma posição contra a Alemanha, interessado na conquista das colônias germânicas do Pacífico. Militarmente falando, a I Grande Guerra divide-se em três grandes períodos: a guerra de movimento, em 1914, a guerra de posições, entre 1915 e 1918, e a retomada da guerra de movimento, cujo desfecho se dá neste último ano. Embora as batalhas decisivas tenham sido na fronteira francesa, todos os países europeus são atingidos e luta-se inclusive no mar.

Ao iniciarem o conflito, todos estão convencidos de que a guerra será violenta, mas curta. Pensam que o encontro das tropas alemãs e francesas será decisivo, pois numericamente as forças se equivalem.
A França conta ainda com os contingentes britânicos e belgas. O Plano alemão consiste em colocar a França fora de combate rapidamente, lançando contra ela a maior parte de suas forças para depois atacar a tropas de invasão Rússia. Para evitar as fortificações francesas, o exército alemão deveria atravessar a Bélgica e invadir a França pelo norte. Vencida a resistência do pequeno exército belga e malograda a resistência francesa na Lorena, os alemães varrem o norte da França, chegando a 45 quilômetros de Paris. O Governo e as Câmaras deixam a capital e se instalam em Bordéus. Como os alemães evitam Paris, os franceses dão-lhe combate no Marne e após seis dias de luta encarniçada, o Estado-maior inimigo dá ordem de retirada, fixando-se na região de Aisne e do Somme. A batalha naval que se trava em seguida não tem resultados mais definidos. Finalmente estabilizadas as posições, passa-se à guerra de trincheiras, que se estendem por 780 quilômetros e milhões de homens morrerão aí.

Na frente oriental, também nenhum dos adversários pode obter vantagens decisivas. Para aliviar a frente francesa, os russos tomam a ofensiva, entrando na Prússia tropas de invasão Oriental, onde são derrotados, mas infligem séria derrota aos austríacos. A partir daí a frente oriental se estabiliza, apesar da entrada da Turquia na guerra, ao lado dos Impérios Centrais, no fim do ano. Como os turcos mantêm o controle entre os mares Negro e Egeu, torna-se difícil a ligação da Rússia com seus aliados. Embora indefinida a situação, o plano alemão malogrou. O Kaiser Guilherme II é obrigado a fazer o que temia: manter a guerra em duas frentes simultâneas. Na frente ocidental a luta de aspecto. Após a guerra de movimento, a guerra de trincheira. Enterrados em profundas escavações, mal protegidos por sacos de terra e cercas de arame farpado, reabastecidos com dificuldade, os combatentes suportam os rigores do inverno, os ratos, os vermes. Mas, piores que tudo, os bombardeios dos primeiros aviões alemães, que põem abaixo as fortificações improvisadas, causando pânico. O armamento modifica-se: o capacete de aço substitui o quepe, a granada e os obuses tornam-se mais úteis que os fuzis, no combate de trincheiras.

Avançar é quase impossível, pois a artilharia é impotente para resguardar os combatentes dos obuses e das metralhadoras inimigas. E para fornecer armas e munições suficientes, os beligerantes engajam todos os recursos industriais, mobilizando assim os recursos econômicos das nações para o esforço de guerra. A Lituânia e a Polônia são conquistadas pelos alemães, que não conseguem, no entanto, fazer capitular os russos, abatidos por enormes perdas. Os aliados, batidos no estreito de Dardanelos, nada podem fazer pelos russos. Entrando na guerra, a Bulgária, juntamente com a Áustria, destrói os exércitos sérvios, cujos mapa da guerra remanescentes desembarcam em Corfu. Por outro lado, aliando-se à Tríplice Entente, a Itália obriga a Áustria-Hungria a lutar numa segunda frente de batalha. O ano de 1916 está ligando a uma cidadezinha francesa, Verdun, sinônimo de inferno para os que aí lutaram. Com essa batalha, iniciam-se várias táticas de guerra moderna: mais que a derrota do inimigo, deseja-se o seu aniquilamento, através de ataques sucessivos e limitados. O comando alemão pretendia esgotar os franceses, surpreendendo-os pela intensidade dos ataques e pela violência dos bombardeios. Mas Verdun não cairá. A calma energia do General francês faz com que frustre o plano alemão e quinhentos mil homens dos dois lados morrerão. Na frente oriental, os russos invadem a Galícia austríaca com êxito. E a Romênia declara guerra aos Impérios Centrais, é invadida e ocupada. Mas o saldo dos aliados é positivo.

Em dezembro de 1916 os Impérios Centrais tentam um armistício. Julgando enfraquecido o adversário, os Aliados recusam, apesar de tudo. A situação interna da Rússia, no entanto, era desesperadora: perdas espantosas, carestia, exaustão popular. bombardeio aéreo Em Petrogado, no mês de fevereiro de 1917, uma revolta popular derruba o czar e, em Outubro, a Revolução Socialista triunfa no país. Em meio à difícil situação interna, os russos retiram-se da guerra, firmando, em março de 1918 o armistício de Brest-Litovsk, que beneficia os alemães. No entanto, essa vantagem foi apagada em abril de 1917 pela entrada dos Estados Unidos da América na guerra, ao lado da Tríplice Entente. Essa decisão é ditada pelos interesses norte-americanos na Europa e por sua afinidade política com a França e a Inglaterra. Alguns países latino-americanos acompanham os Estados Unidos. Enquanto chegavam as primeiras tropas da América do Norte, os franceses atacavam a região de Arras, no norte da França, tentando uma vitória que não veio. Nessa batalha, pela primeira vez, foram usados tanques, pelas tropas inglesas. Em julho de 1918, depois de unificado o comando aliado, estava reconquistado todo o norte da França e o exército alemão começava a perder. Os ingleses, no ano anterior, tinham levantado contra os turcos, os árabes, que se apoderam de Bagdá e Jerusalém. Na Grécia, as tropas franco-inglesas conseguem romper a frente Búlgura, liberando a seguir a Sérvia e a Romênia. Os Italianos ocupam Trento e Trieste.

Perdida a causa dos Impérios Centrais, a Bulgária e a Turquia retiram-se da guerra, seguidas pela Áustria-Hungria, que estava em plena desagregação. No início de novembro, poloneses e tchecos proclamam sua independência, ao mesmo tempo em que nascia a Iugoslávia. A 6 de outubro de 1918, o presidente dos Estados Unidos recebe uma nota alemã solicitando o armistício e aceitando as bases americanas para a paz. Os americanos respondem que só assinariam o tratado de paz com um governo democrático e exigia a abdicação de Guilherme II. Como estourasse uma revolução, o imperador viu-se obrigado a renunciar, partindo para o exílio. O governo da nação passou para a mão dos socialistas e criou-se a República de Weimar e a 11 de novembro assinou o armistício, que seria confirmado pelos tratados de Versalhes (julho de 1919), de Saint-Germain (setembro de 1919), de Neuilly (novembro de 1919) e de Sèvres (agosto de 1920). Mas a convulsão que havia levado à morte de 8 milhões de europeus marcava o declínio da hegemonia política e econômica da Europa e os vencedores de 1918 foram incapazes de reorganizar o continente numa paz durável: duas décadas depois, com início na Europa, o mundo seria envolvido por uma guerra ainda mais terrível: a II Guerra Mundial.







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