ACON T ECEU
|| Home | Assuntos | Contato ||

Civilização Grega


A Grécia desempenhou papel de primeiro plano na Antiguidade, constituindo uma civilização cuja influência foi profunda, na formação da cultura ocidental. Da Grécia antiga herdamos não só uma extensa gama de conhecimentos científicos, desenvolvidos por pensadores como Pitágoras, Eratóstenes, Euclides, Tales, Arquimedes, como também os grandes fundamentos do pensamento filosófico e político presente nas obras Sócrates, Platão, Aristóteles e outros. Também nossos padrões estéticos de arte e beleza foram herdados dos gregos, influenciados por sua escultura, arquitetura e teatro.

As origens da civilização grega estão profundamente relacionadas à história de Creta, que viveu o processo de ascensão e queda de sua civilização entre 2000 a.C. e 1400 a.C. A privilegiada situação geográfica de Creta, a maior ilha do mar Egeu, favoreceu os contatos marítimos com o Egito, a Grécia e a Ásia Menor, regiões com as quais desenvolveu intenso comércio.
Até o século XV a.C., Creta exerceu a mais completa hegemonia comercial sobre essa região do Mediterrâneo, estendendo seus domínios à Grécia continental, onde conquistou várias cidades.

As características desta civilização lembram, em suas estruturas, a antiguidade oriental. Em Creta, dado o enorme desenvolvimento das práticas comerciais, o controle político concentrava-se nas mãos de uma elite comercial (talassocracia), liderada por reis, descendentes dos lendários Minos. A cidade de Cnossos era a capital do reino, a qual, na época de seu apogeu, chegou a contar com uma população de mais de cem mil habitantes. As cidades cretenses, segundo as investigações arqueológicas, apresentavam um singular talento arquitetônico, com grandes palácios e edifícios dotados de complexos sistemas de saneamento e canalização de água. A amplitude do palácio governamental de Cnossos, com suas inúmeras dependências e a decoração, sugeriam a idéia de um verdadeiro labirinto.

Em Creta, sabe-se que a mulher desfrutava de direitos e obrigações quase desconhecidos em outras regiões na antiguidade. As mulheres cretenses possuíam uma importância que transparecia na religião, cuja principal divindade era feminina, a deusa Grande-Mãe. Isto faz supor que, na ilha, sobrevivesse uma forte influência das sociedades matriarcais pré-históricas. As mulheres participavam das grandes festas e das cerimônias religiosas, muitas eram sacerdotisas, outras fiandeiras e até pugilistas, caçadoras e toureiras. Em meados do século XV a.C., os aqueus – povos que habitavam nessa época a Grécia Continental – invadiram Creta, dando início à civilização creto-micênica, cujos representantes se espalhariam pelo mar Egeu dominando-o até o século XIII a.C.

Embora fundada por aqueus, a cidade de Micenas adotou muitos valores cretenses, especialmente os artísticos, apesar de impor a supremacia patriarcal, iniciando a transição para o mundo grego. O predomínio de Micenas, que vencera também sua rival, Tróia, duraria até o século XII a.C., quando a região foi invadida pelos conquistadores gregos chamados dórios. Provavelmente, os primeiros povos a habitar a Grécia foram os pelasgos, ou pelágios. Ao que tudo indica, por volta de 2000 a.C., esses povos, organizados em comunidades coletivistas, ocupavam a zona litorânea e mais alguns pontos isolados na Grécia continental. Foi aproximadamente nessa época que teve início, na Grécia, um grande período de invasões, que se prolongaria até 1200 a.C. Os povos invasores – indo-europeus provenientes das planícies euro-asiáticas – chegaram em pequenos grupos, subjugando lentamente os pelasgos.

Os primeiros indo-europeus que invadiram a Grécia foram os aqueus, e ali se estabeleceram entre os anos 2.000 a.C. e 1.700 a.C. Foram eles os fundadores de Micenas, cidade que foi o berço da civilização creto-micênica. Entre 1700 a.C. e 1400 a.C., outros povos atingiram a Grécia: os eólios, que ocuparam a Tessália e outras regiões, e os jônios, que se fixaram na Ática, onde posteriormente fundaram a cidade de Atenas. A partir de 1400 a.C., com a decadência da civilização cretense, Micenas viveu um período de grande desenvolvimento, que terminaria por volta de 1200 a.C., quando se iniciaram as invasões dos dórios. Os dórios – último povo indo-europeu a migrar para a Grécia – eram essencialmente guerreiros. Ao que parece, foram eles os responsáveis pela destruição da civilização micênica e pelo conseqüente deslocamento de grupos humanos da Grécia continental para diversas ilhas do Egeu e para a costa da Ásia Menor. Esse processo de dispersão é conhecido pelo nome de primeira diáspora.

Após o esplendor da civilização micênica, seguiu-se um período em que as cidades foram saqueadas, a escrita desapareceu e a vida política e econômica enfraqueceu, caracterizando um processo de regressão da Grécia a uma fase primitiva e rural. Desse período (séculos XII a.C. a VIII a.C.), que foi a base da civilização grega, não se tem registro, exceto os poemas Ilíada e Odisséia atribuídos a Homero, que, tendo vivido no século VI a.C., teria recolhido histórias transmitidas oralmente durante os séculos anteriores. Por essa razão, esse período, posterior à invasão dórica, ficou conhecido como tempos homéricos. Em decorrência, o período anterior a 1200 a.C., caracterizado pela imigração de povos indo-europeus e pela formação da cultura creto-micênica, recebeu a denominação de tempos pré-homéricos.




<<anterior próxima >>