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Civilização Grega - Os Tempos Homéricos

homero A Grécia é uma península ao sul da Europa, no Mediterrâneo.Muito antes do século IV a.C. – quando Alexandre Magno conquistou um vasto império, chegando até a Índia – a civilização grega se estendia não só aos arquipélagos do Mar Egeu e à Ásia Menor, mas também às costas setentrional da África e meridional da Itália, onde se estabeleceram importantes núcleos de povoamento. O relevo da península dividia a Grécia em pequenas regiões naturais, nas quais se formaram cidades, que tinham governo próprio e independente, constituindo verdadeiros Estados. Algumas se tornaram tão famosas: Atenas, Esparta, Tebas, etc. Em cada uma delas desenvolveu-se um tipo particular de civilização: Esparta cultivava o militarismo; Atenas dedicou-se, sobretudo, ao pensamento, às artes e à cultura. Mas havia entre elas muita coisa em comum no que se refere à vida urbana.

Para compreendermos a evolução política da Grécia antiga, é necessário retrocedemos aos tempos pré-homéricos, quando os povos indo-europeus ali se fixaram. Já nessa época, esses grupos humanos encontravam divididos em genos, famílias coletivas constituídas por um grande número de pessoas sob a liderança de um patriarca. Após as invasões dos dórios, os genos passaram a constituir a forma predominante de organização social. Assim, podemos afirmar que o período pré-homérico foi o período das comunidades gentílicas.

cidade de homero Cada geno constituía uma unidade econômica, social, política e religiosa da sociedade grega. De fato, esses pequenos agrupamentos humanos conseguiam, isoladamente, assegurar sua sobrevivência com uma economia natural e coletivista. Os meios de produção (terra, sementes), assim como os bens produzidos (alimentos, objetos), pertenciam a todos os indivíduos, ou seja, a propriedade não tinha caráter particular. Na organização hierárquica dos genos, o patriarca, ou pater, era a autoridade máxima, exercendo as funções de juiz, chefe religioso e militar. O critério que definia a posição dos indivíduos na comunidade era o seu parentesco com o pater.

gregos As comunidades gentílicas existiram durante quase todo o período homérico. Apenas por volta do século VIII a.C., iniciou-se o processo de desintegração dos genos, evoluindo mais rapidamente em algumas regiões do que em outras. Diversos fatores contribuíram para a dissolução dos genos no final dos tempos homéricos, entre eles o crescimento populacional e o aumento do consumo. Entretanto, a produção continuava limitada, pois havia poucas terras férteis e as técnicas de produção eram bastante rudimentares. A luta pela sobrevivência, que dependia basicamente da terra, desencadeou uma série de guerras entre genos. Para enfrentar um inimigo comum, muitos deles se uniram, formando uma fratria. Reunidas, as fratrias constituíam uma tribo, a qual se submetia à autoridade do filobasileu, o supremo comandante do exército. A união de várias tribos deu origem ao demos (“povo”, “povoado”), que reconhecia seu líder supremo o baliseu.

A crise da sociedade gentílica alterou profundamente a estrutura interna dos genos. Aos poucos, a terra deixou de constituir propriedade coletiva, sendo dividida, de modo desigual, entre os membros dos genos. As melhores parcelas de terra foram tomadas pelos parentes próximos do pater, e por esse motivo, passaram a serem chamados de eupátridas (“bem-nascidos”). gregos O restante das terras foi dividido entre os georgóis (agricultores), parentes mais distantes do patriarca. Nesse processo de divisão, os mais prejudicados foram os thetas (marginais), para os quais nada restou. Com a crise das comunidades gentílicas, a Grécia continental se transformou em palco de inúmeros conflitos e tensões sociais, que resultaram em uma nova dispersão do povo grego – a segunda diáspora. Os principais fatores que provocaram esse novo deslocamento foram o crescimento demográfico e a escassez de terras cultiváveis, em grande parte pela concentração da propriedade nas mãos de uma pequena parcela da população.

Desse modo, boa parte da população excedente, constituída, principalmente pelos menos beneficiados na partilha das terras, emigrou para regiões do Mediterrâneo ocidental, ali fundando diversas colônias. Assim surgiram cidades como Tarento e Siracusa, no sul da Itália, região que desenvolveu muito graças ao cultivo de cereais e que ficou conhecida como Magna Grécia. Nesse período de instabilidade, por questões de segurança, várias tribos se uniram formando comunidades independentes, que deram origem as pólis ou cidades-estados. Elas tinham como grécia ponto central a acrópole, parte mais alta da povoação, governada pelo conselho de aristocratas, os eupátridas.




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