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Peste Negra - Europa 1347

peste negra A doença introduzira-se na Europa através do porto Siciliano de Messina: os marinheiros de navios chegados da Ásia haviam contraído a moléstia durante a viagem. A peste propagou-se rapidamente pela cidade e os mortos eram enterrados em vala comum. Não havia tempo para chorá-los. O mal desconhecido alastrava-se com rapidez e não escolhia suas vítimas.


Os manuais de medicina da época não mencionavam nada que recordasse outros males semelhantes àquela epidemia. Levantavam-se hipóteses: sábios franceses acreditavam que a doença era provocada pelos terremotos que estavam abalando vastos territórios no Extremo Oriente. Para eles, essas conturbações na crosta terrestre estariam contaminando o ar. Enormes fogueiras foram acesas por toda a Europa, com o intuito de purificar a atmosfera. Tudo inútil: a peste continuava a dizimar milhares de pessoas todos os dias.

Os marinheiros que sobreviveram à peste foram expulsos da cidade, mas isso não impediu que toda a Europa sofresse os efeitos da terrível praga. Não se tratava de ira divina, como muitos pregavam, mas as péssimas condições de higiene do final da Idade Média. Os autores são unânimes em afirmar que a Europa, no século XIV, era pessoas com peste negra terreno propício à disseminação de epidemias: as cidades eram super povoadas. No século anterior, grandes contingentes humanos tinham se deslocado para os centros urbanos, onde se processava intensa reativação das atividades econômicas, amortecidas desde a queda do Império Romano (século V). Nas cidades onde a densidade populacional era maior, três pequenos cômodos serviam, em média, de morada para cerca de dezesseis pessoas. Com ruas estreitas e tortuosas, essas cidades eram cercadas por altos muros, que serviam de proteção contra ataques de ladrões e bandos famintos que viviam nos campos. As condições sanitárias eram precárias e só algumas cidades possuíam esgoto subterrâneo. O hábito do banho não era generalizado entre as populações dessa época e os detritos das casas e das pequenas oficinas artesanais eram atirados às ruas e não havia serviço de coleta do lixo ali amontoado. Essa situação, evidentemente, favorecia a proliferação de ratos e pulgas.

peste negra Um bacilo chamado Pasteurella pestis foi o causador da terrível moléstia. A bactéria é transmitida pelas pulgas aos roedores, mas pode contaminar outros animais, inclusive o homem. A peste manifestou-se, de início, com a morte repentina de um grande número de ratos em Messina. Os moradores estranharam o fato, mas só avaliaram o perigo a que estavam expostos quando a doença já contaminara a população. Um pequeno tumor na perna ou no braço, do tamanho de uma lentilha, era a marca prenunciadora da morte rápida.

peste negra Em menos de três dias, a pequena ferida espalhava-se pelo corpo da pessoa contaminada. Quando o doente passava a vomitar sangue, era sinal de que a bactéria penetrara os aparelhos digestivo e respiratório. A vítima falecia em poucas horas. O perigo da contaminação levou populações inteiras a abandonar as cidades em direção ao campo. Entre os fugitivos, porém, havia centenas de pessoas que já portavam o mal. Dessa forma, a doença se propagou entre as populações camponesas. Poucos anos depois, cerca de 25 milhões de pessoas tinham sido dizimadas pela doença.

Milhares de camponeses deixaram a lavoura e passaram a viver como nômades, peste negra vagando por diferentes países da Europa. A catástrofe não tardou a afetar todo o sistema de produção de bens. A falta de alimentos permitiu que muitos comerciantes fizessem fortuna com a especulação enquanto a miséria aumentava. Bandos de famintos lançaram ao saque e o terror vigorou nas cidades. O desespero fazia o povo buscar refúgio na religião e estranhos profetas viajavam de cidade em cidade arrastando atrás de si multidões de peregrinos. Para os historiadores, a peste negra foi um dos fatores que impulsionaram os levantes camponeses da época e que culminaram, como na Inglaterra, com a própria desagregação do sistema feudal.




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