ACON T ECEU
|| Home | Assuntos | Contato ||

Vacina - Inglaterra 14/05/1796 Sábado

vacina Na Europa do século XVIII, em cada cem europeus, dez morriam de varíola. Os que sobreviviam, ficavam com o rosto marcado ou então, cegos ou surdos. Em 1770, uma epidemia exterminou 3 milhões de pessoas na Índia. A varíola, tão inevitável como a velhice e a morte, era considerado um castigo dos céus contra os pecados dos homens. Acreditava-se que o contágio se dava pelos “miasmas” ou exalações do corpo do varioloso. Por isso, logo aos primeiros sintomas, isolava-se o doente mesmo contra a vontade de seus familiares. Ele era transportado para um local distante da cidade, a fim de que “nenhum vento danoso, passando pelos hospitais, chegasse a atingir a população”. Entretanto, no decorrer das epidemias, estes lugares ficavam logo lotados e a maior parte dos doentes acabava morrendo em casa.

vacina Na África e na Ásia, a varíola foi um flagelo desde os tempos mais remotos e, na China ela já era conhecida desde ano de 1122 a.C. Estudiosos e historiadores acreditam que são de varíola os sinais visíveis no rosto mumificado do faraó egípcio Ramsés IV (século XII a.C.). Segundo consta, a varíola propagou-se na Europa, no século VII da nossa era, por intermédio dos árabes que invadiram a Espanha. Quando em 1517, na expedição de Cortez ao México, a doença se alastrou e cerca de 3,5 milhões de indígenas morreram. No Brasil, em 1563, deixou viva apenas a quarta parte da população e desde esse tempo, ficou sendo conhecida como peste.

Desde as primeiras manifestações da doença, percebeu-se que todo aquele que se salvava ficava livre de contrair novamente o mal, isto é, imunizava-se. Por outro lado, já na China e na Índia antiga, observou-se que havia duas formas de varíola, vacinação uma bem menos grave que a outra. Ocorreu, então, a idéia de contagiar pessoas sadias com a forma benigna, para torná-las imunes ao mal mais grave. Esse método, que despertou tanto entusiasmo, pois deu a ilusão de livrar o homem de um tremendo mal, apresentava também graves inconvenientes: entre 300 pessoas inoculadas, pelo menos quatro morriam e as que sobreviviam não saravam completamente. E ainda mais: a pessoa inoculada contaminava outras. Assim, em vez de ser extinta, a doença era mantida e disseminada. Em algumas zonas rurais da Inglaterra, acreditava-se que quem já tivesse sido contaminado pela “varíola da vaca” estava livre da doença. Esta se manifestava nos úberes da vaca, em forma de pequenas erupções, e era com grande freqüência transmitida aos ordenhadores. O contágio se dava através de algum machucado que eles apresentassem nas mãos e nele aparecia uma ferida semelhante à do animal.

Após este pequeno processo infeccioso, essas pessoas resistiam às epidemias. Edward Jenner, médico rural, ouvindo a história da varíola da vaca, resolveu vacinação estudá-la e verificar sua capacidade de imunização. De suas observações, concluiu que era uma forma atenuada da varíola que contaminava os homens. Convenceu-se também de que as pessoas atingidas por ela se imunizavam. Para tanto, extraiu o líquido (linfa) da ferida de uma pessoa doente e injetou-o num menino sadio, James Phipps, através de duas incisões superficiais no braço. Era 14 de maio de 1796. O menino sentiu todos os sintomas da doença, mas não a contraiu. A primeira vacinação (palavra originada do animal que possibilitou a prevenção), ou seja, a inoculação com varíola de vaca tinha sido um sucesso.

A vacina apresentava grandes vantagens em comparação aos métodos anteriores: podia ser feita em série de pessoa a pessoa, retirando o material de uma e inoculando-o em outra; era “limpa”, isto é, não contagiava os outros; e, o que é mais importante, tornava o vacinado imune à varíola.




<< anterior próxima>>